"...Quando já
não havia outra tinta no mundo
o poeta
usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel,
Não dispondo de papel,
ele
escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz,
Assim, nasceu a voz,
o rio em
si mesmo ancorado.
Como o sangue:sem voz nem nascente."
Como o sangue:sem voz nem nascente."
Mia Couto
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(In "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(In "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")
Mia Couto